As pedras no caminho do BI

A popularização das ferramentas de business intelligence (BI), como Qlikview e Tableau, entre tantas outras, nos últimos anos trouxe uma enorme evolução na tratativa e análise das informações dentro das organizações. Aquelas que possuem uma cultura bem estabelecida de gestão, com propriedade sobre as informações que circulam pelo negócio, sem dúvida conseguiram obter vantagens em curto prazo no uso dessas ferramentas. Mas muitas empresas entraram nessa onda e não conseguem tirar o verdadeiro valor dessa tecnologia.

O primeiro entrave enfrentado no processo de implantação de uma ferramenta de BI é a aversão ao modelo “self-service” de recursos de TI. De uma forma geral, os usuários estão acostumados a receber as informações prontas, praticamente mastigadas, para então serem analisadas. Mas a realidade atual é diferente, há milhões de dados para serem cruzados e analisados, e relatórios “prontos” já não são mais tão eficientes e não mostram todos os lados da questão.

Outro problema é que os usuários das empresas que não possuem uma cultura de análise e manutenção criteriosa dos seus dados normalmente não se preocupam em mantê-las fiéis a realidade, ou até mesmo simplesmente atualizadas, gerando uma quebra na credibilidade das informações geradas pela ferramenta. Sempre existem aqueles relatórios gerados há muitos anos que o usuário não quer se livrar, e que “funcionam” com as informações do jeito que estão.

Há também casos onde existe uma grande dificuldade em demostrar o ROI desse tipo de projeto. Culturalmente, em uma indústria, é relativamente fácil calcular o ROI de uma nova máquina para a indústria, em uma escola de cursos, pode-se calcular o ganho com a construção de uma nova sala de aula, mas como demonstrar financeiramente o ganho que a empresa terá com a aquisição de uma ferramenta de BI. Para alguns projetos específicos será mais fácil, mas de uma forma geral o ganho é indireto, algumas vezes intangível, e muitos profissionais não estão acostumados a calcular esse tipo de retorno do investimento.

No final das contas, a maior parte dos problemas se resume no velho pensamento de que ninguém gosta de mudança, porque precisa sair da sua zona de conforto, perdendo o poder que possui sobre as informações e relatórios dos sistemas legados. Se essa questão não for considerada, o projeto de BI pode começar praticamente condenado na organização. Para evitar isso, no momento da análise de qual ferramenta adquirir, é muito importante considerar:

1) Os processos ligados aos cadastros e alterações das informações do negócio estão bem estabelecidos e auditados?
2) A ferramenta se enquadra no modelo de negócio e na cultura da organização
3) A empresa ou profissional que fará a implantação e o treinamento possui experiência em tratar as questões culturais que possam atrapalhar o andamento do projeto?
4) O retorno previsto atende às expectativas dos patrocinadores do projeto?

Responda a essas perguntas, fique atento aos detalhes, se dedique ao projeto e tenha sucesso!

O texto acima é de , Gerente de TI.

Em sua análise Marcelo resume o que sempre afetou a área de TI e não diferente, a área de Business Intelligence em seu início e implantação: A resistência das pessoas em relação às mudanças. O que hoje é feito com a intenção de diminuir o tempo de espera de um relatório e desonerar a fila da TI, o selfie-service está sendo tratado como um problema por alguns gestores e sendo deixado de lado, transformando o investimento em ferramentas em prejuízo.

Comentários